Por que ocorrem reações alérgicas à alguns insetos?

Reações alérgicas ou alérgicas graves, chamadas de anafilaxia, à veneno (picada/ferroada) de insetos podem ocorrer quando o sistema imunológico do indivíduo entra em contato com essas proteínas e desenvolve anticorpos chamados de IgE, o que chamamos de sensibilização. Nos contatos posteriores com o veneno ao qual o indivíduo foi sensibilizado podem ocorrer reações leves ou graves, normalmente em menos de 1 hora do contato com o inseto culpado:

– Urticária com ou sem angioedema isoladamente ou associada a:

-Falta de ar, “chiado”

– Sensação de “fechamento da garganta”

– Vômitos, diarreia, dor abdominal

-Desmaio, queda da pressão arterial

Os insetos geralmente envolvidos são:

– formiga (solenoposis richteri solenoposis invicta)

-abelha (apis mellifera sp e apis mellifera scutellata sp)

-vespa (polistes sp e vespula sp), sendo esta última pouco comum no Brasil.

Como é feito o diagnóstico da alergia à veneno de insetos?

Após a história detalhada do(s) evento(s), o médico Alergista e Imunologista será capaz de direcionar a investigação através de testes que detectam o anticorpo IgE contra o veneno dos insetos. Podem ser realizados exames laboratoriais ou testes cutâneos com o especialista em ambiente monitorizado, o que vai variar de caso a caso. A medida mais importante após um episódio de reação alérgica grave (anafilaxia) é a orientação e prescrição de medicações que farão parte do plano de ação no caso de novo episódio, como a adrenalina auto-injetável. Essas medicações devem estar sempre em posse do paciente e a orientação da família e pessoas do ambiente social, além de um instrumento de identificação é muito importante. Fatores de risco para a ocorrências de reações graves incluem doenças associadas não controladas, principalmente a asma.

Como é feito o tratamento para alergia à veneno de insetos?

Em casos de reações graves está indicado o tratamento específico que irá induzir tolerância do sistema imunológico para o veneno do inseto causador da reação, o que é chamado de imunoterapia. O tratamento consiste de aplicações de doses mínimas em concentrações crescentes do veneno e dura no mínimo 3 anos. O risco de reação alérgica durante a imunoterapia existe, por isso esta deve ser realizada sempre na presença do médico em ambiente monitorizado para que o paciente receba tratamento adequado no caso da reação ocorrer. A imunoterapia não está indicada no caso de reações leves.

Algumas dificuldades no diagnóstico da alergia à veneno de insetos

Nem sempre é fácil caracterizar o inseto envolvido. Além disso os extratos disponíveis para testes e imunoterapia apresentam algumas limitações quanto às espécies de alguns insetos comuns no Brasil e que não fazem parte do extrato utilizado, ocorrendo algumas vezes um teste falso negativo, dificultando o diagnóstico. Quando isso ocorre, exames para identificação da proteína envolvida podem ser realizados, porém na maioria das vezes estão disponíveis apenas em centros de pesquisa. Além disso, algumas reações podem ser devido à toxixidade do veneno do inseto, principalmente em casos de múltiplas ferroadas/picadas, onde o mecanismo alérgico não está envolvido e a imunoterapia não é indicada.

Referências: https://www.aaaai.org/Aaaai/media/MediaLibrary/PDF%20Documents/Practice%20and%20Parameters/Insect-hypersensitivity-2011.pdf


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